Publico aqui o poema que Jaime fez inspirado por um vídeo caseiro meu, na praia do Cassino. Está lá no Filhos de Orfeu (http://filhosdeorfeu.blogspot.com/), pra quem quiser conferir outras obras do poeta.
começo a viagem
com eles chegando ao caminho das pedras
interdito
ele afável
ela em seu jeito
natural
eles sabem onde vão
eu sei
e por isto
mesmo alhures
testifico
faço um primeiro pesponto
espargindo
um pouco da solução
volátil sobre a pele dela
um pouco fica, algo se libera do extrato
que opera
suave
sobre as superfícies despertas
faço o segundo pesponto
e vejo a tela de nuvens negras
abrir-se em franja ao poente de depois da chuva
feita de um amarelo brancacento
que pensa o branco em mim
assim como quem diz
é só isto
em tudo e por fim
faço então o último pesponto
apanho estas três coisas
e ponho-as em tuas mãos
te beijo
arrumo a cama
e como bem pouco sei de tudo
e pouco resta
durmo
(por jaime medeiros jr )
Domingo, Novembro 08, 2009
Ao caminhar sozinha pelo parque, sobre o tapete de flores amarelas e roxas que se formou no caminho, depois da tempestade, percebeu que algumas das imagens mais bonitas são, também, as mais melancólicas.
Domingo, Outubro 11, 2009
São essas pequenas coisas do cotidiano que eu não sei contar. As histórias banais, os detalhes, a rotina, um dia normal na vida de uma pessoa normal. O coração que eu fiz pra ele com o vapor e a água que escorriam no box do banheiro, estar com meu pai em qualquer lugar que não seja o quarto de um hospital, tomar o chá com torrada de todas as noites com a mãe, ter uma mesa cada vez maior no almoço de sábados no Ocidente, visitar uma grande amiga pra conhecer o bebê que acabou de nascer, beber champanha com os colegas de trabalho após o expediente, perder algumas horas lendo as atualizações dos amigos no Facebook e fazendo comentários, ouvir música no escuro, tomar uma taça de vinho em um feriado chuvoso, ler um bom livro. Tantas coisas que eu não sei contar!
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
Quarta-feira, Setembro 02, 2009
Frente a frente, fazendo as mesmas coisas de forma invertida,
já não sei dizer quem sou:
a do lado de cá ou a do lado de lá do vidro?
Segunda-feira, Agosto 10, 2009
Nascer do sol na praia do Cassino, do meu arquivo pessoal.
Amanhece. Mais um dia de não dizer coisas não ditas. Não é o momento. Será um dia?
Sábado, Julho 11, 2009
Quarta-feira, Junho 10, 2009
Já que eu mesma não tenho tempo-inspiração-vontade de escrever, por ora, me utilizo da palavra dos outros pra continuar me expressando.
Tango
Idea Vilariño, com tradução de Sergio Faraco
"Venho pela rua
compro pão
entro em casa
há névoa e venho triste
teu amor é uma ausência
teu amor digo meu amor
amor que terminou em nada.
Subo as escadas
repassando essa história
e fico no escuro
atrás da porta
amarga
pensando não pensando
em teu amor
na vida
na solidão que é
a única certeza."
"Yo vengo por la calle
compro pan
entro em casa
hay niebla y vengo triste
tu amor digo mi amor
amor que quedó en nada.
Subo las escaleras
repasando esa historia
y me quedo en lo oscuro
tras de la puerta
amarga
pensando no pensando
en tu amor
en la vida
en la soledad que es
única certidumbre."
Máquina do Tempo
Estação
"Se tudo passa, talvez você passe por aqui."
online
Com orgulho


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