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O Espelho

O espelho não reflete a realidade, apenas uma imagem. Aqui, estou diante do espelho.

 
 
Decifra-me

 
 
 
Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Tenho quatro correios eletrônicos. Quatro correios eletrônicos? Pois é, tem aquele que é o do MSN, tem aquele que tem uma capacidade maior para receber vídeos e fotos, tem aquele que é o da assinatura, e, finalmente, tem o profissional. Não é fácil viver em um mundo virtual. Lembra quando todo mundo se comunicava por carta? E então, veio a Internet e o correio eletrônico e hoje, na minha caixa de correspondência, só chegam contas, folhetos publicitários e o jornal diário. Só que veio o Orkut, Facebook e outros similares, e as cartas eletrônicas passaram a ser meros scraps, textículos, porque o mundo é rápido, a vida é breve, e a comunicação também. Odeio correntes. Odeio receber propagandas, folders e coisas do gênero. Odeio receber piadas. Odeio mensagens coletivas com arquivos anexados. Só que hoje, 95% das mensagens que recebo nos meus quatro correios eletrônicos e nas minhas mensagens do Orkut e do Facebook são exatamente isso. Então deleto, deleto, deleto. E sempre com muita raiva, deleto. Assim, é natural que a mensagem "passar adiante o amor", com arquivos anexados, vá direto para a minha lixeira eletrônica. Lixo no primeiro correio. Lixo no segundo correio. Lixo no terceiro correio. No quarto correio, a mensagem ou a curiosidade (que maldito amor é esse?), me vence no cansaço. Para minha surpresa, são fotos lindas, de uma amiga e sua família em local paradisíaco, e uma mensagem em que ela divaga sobre a vida, a família, as amizades, essa total distância disfarçada de proximidade eletrônica, e essa vontade de compartilhar um momento especial. Moral da história? Nenhuma. Vou seguir deletando, apagando, jogando fora tudo o que eu achar ser lixo eletrônico, mas espero continuar sendo sempre vencida pelo amor. Não o amor enlatado, o amor padronizado, o amor recorta e cola, mas aquele amor legítimo e com destino certo, como flecha de cupido.



Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Escrevi esse texto para a brincadeira de alfabeto do Ménage. Agora, por total falta de criatividade, imaginação, paciência, etc etc etc, e por ser uma variação sobre o mesmo tema (medo, solidão, vida e morte), transporto de lá pra cá.



medo
medo de quê?
medo de ser kafkianamente preso sem poder se defender?
de perder o humor, o rumo, o jogo, o senso, a hora, a paciência?
medo, medo
medo de seqüestro, tortura, estupro, violência?
medo de altura, medo da loucura, medo, medo de quê?
medo da chuva, da água, da enchente, de se afogar?
medo do calor, do sol, da seca, de se queimar?
medo, medo, medo
de andar e de parar?
a reta e a curva, o ódio e o amor, o preto e o branco, o fim e o infinito,
o real e a ilusão, o grito e o silêncio,
medo, medo, medo
medo dos opostos e medo dos iguais
medo de quê?
de sofrer, de morrer?
medo muito muito pior
medo, medo, muito medo
medo de viver.

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